Um drible nos obstáculos, uma material especial do O Povo sobre o Urece

O que faz um atleta paraolímpico quando não está em competição? Segue lutando pelo reconhecimento e pelo apoio daqueles que o esquecem após um grande evento.

O reconhecimento é importante. O apoio financeiro também. Ninguém se torna atleta da noite para o dia e, para chegar ao pódio, todo atleta precisa de condições para viver e treinar. Imagine o atleta paraolímpico que ainda enfrenta os desafios impostos por um mundo hostil.

Mas, como o esporte tem a capacidade de materializar sonhos e transformar pessoas, nossos atletas paraolímpicos não se deixam abater. Mais do que treinar para futuras competições, como as Olimpíadas que ocorrerão no Brasil em 2016, eles também se preocupam em formar novos campeões.

É exatamente isso o que fazem os atletas paraolímpicos que em 2005 criaram a Urece Esporte e Cultura para cegos.

TIMES DOS EMPREENDEDORES
Com o sugestivo slogan “Não enxergamos obstáculos”, a Urece é um meio de profissionalizar as relações no paradesporto, de modo que atletas e treinadores possam a r voz ativa em assuntos relativos à preparação, competições e patrocínios.

Presidida por Anderson Dias, campeão mundial em 2000 e campeão de futebol de 5 nas Paraolimpíadas de Atenas em 2004, a instituição reúne um time de vencedores: Marcos Lima, vice-presidente, tornou-se o primeiro atleta cego brasileiro a esquiar na neve; Fábio Dias, treinador da equipe masculina de goalball, recebeu medalha de bronze nas Paraolimpíadas de Londres, em 2012; Gabriel Mayr, coordenador de projetos, treinou a primeira equipe de mulheres cegas do Brasil; Fausto Penello, diretor administrativo, é treinador da equipe masculina de futebol de 5.

No dia a dia, a Urece ministra aulas de futebol para cegos, goalball e natação. Sediada no Rio de Janeiro, não se limita às fronteiras locais. Desenvolve treinamentos esportivos, oficinas e projetos especiais para outras instituições dedicadas aos cegos no país. Realiza palestras para empresas sobre a inclusão de deficientes no mercado de trabalho. Participa de eventos e competições em todo o mundo e mantém intercâmbio com instituições de outros países.

O espírito empreendedor de seus idealizadores transparece, ainda, em ealizações como a criação de uma equipe de futebol para mulheres cegas. Enquanto a seleção brasileira masculina de futebol de 5 é campeã paraolímpica desde 2004, a Urece foi a primeira associação do País a formar uma equipe feminina. O resultado veio em 2009, com a conquista do campeonato mundial na Alemanha.

Em parceria com a empresa Cambuci-Penalty, a Urece contribui com sua experiência para o desenvolvimento de bolas e chuteiras adequados à prática do futebol para atletas cegos.

TORCEDOR DE PRIMEIRA
As parcerias são importantes porque visam a melhoria dos equipamentos, uniformes e tecnologias para que pessoas cegas – não somente os atletas – conquistem mais independência e possam exercer suas atividades com conforto e segurança.

Competência é o que não falta para o time da Urece. Mas, para ampliar o alcance do seu trabalho, a instituição depende de patrocínios e de contribuições. Por isso, criou a campanha permanente “Torcedor de primeira” para arrecadar contribuições mensais de pessoas físicas e jurídicas. Idealizada em uma incubadora de empresas em 2004, a Urece é uma ONG sem fins lucrativos. Reverte seus ganhos para formar futuros campeões paraolímpicos, participar de treinamentos e competições, e investir na inclusão social de pessoas cegas. Atualmente, o contingente de pessoas com deficiência visual ultrapassa 18% da população brasileira.

Para saber mais, vale uma visita ao site da instituição: http://www.urece.org.br. Nele, o leitor poderá se informar sobre as regras do futebol de 5 e do goalball; conhecer a origem do nome Urece; e entender como funcionam os intercâmbios.