Deu no Globo.com: Único triatleta paraolímpico do Rio sonha com 2016

Tarefas simples, como sair de um carro, agora levam até dois minutos. Foi em um acidente de trânsito, em 2005, que o gerente de banco Edson Rocha perdeu o movimento das pernas. De cara, o desafio de adaptar sua vida à nova condição o assustou, mas a necessidade acabou aproximando-o do esporte de alto nível. Antes restrito a sessões burocráticas de fisioterapia, Edson descobriu na bicicleta adaptada uma nova paixão até se tornar o único triatleta paralímpico do Rio de Janeiro. Praticamente de atletismo e natação, ele já se vê marcando presença nas Paralimpíadas que a Cidade Maravilhosa sediará em 2016.

– A minha intenção é focar o Rio 2016 . É um sonho que vai ser realidade. Estamos em 2013, estou focado para chegar em 2016 com um bom condicionamento, com bom preparo, embora tenha apenas um ano de experiência – disse ao “SporTV News”.

A grande virada na vida de Edson após o acidente começou no Posto 3 da Barra da Tijuca, há cerca de um ano, na Zona Oeste do Rio. Naquele trecho da praia, todos os sábados, há quatro anos, o projeto ‘Praia para Todos’ realiza atividades esportivas para cerca de 50 deficientes físicos. O gerente de banco relembra que o primeiro contato com a bicicleta adaptada, na qual o pedal é impulsionado pelas mãos, foi surpreendente.

Triatleta Edson Rocha sonha com Jogos Paralímpicos do Rio (Foto: Reprodução SporTV)
Triatleta Edson Rocha sonha com Jogos
Paralímpicos do Rio (Foto: Reprodução SporTV)

– Pensei que ia ficar dez minutos, mas acabei ficando duas horas pedalando com a bicicleta, me divertindo, os outros queriam andar e eu não queria sair – recorda.

Edson frisa, no entanto, que somente o desejo de praticar esporte às vezes não é suficiente para um deficiente – o equipamento adaptado precisa ser importado e custa em torno de R$ 12 mil.

– Como vamos conseguir com a dificuldade que temos hoje em dia? Se a gente não consegue um patrocínio ou um parceiro, a gente não consegue inserir o esporte em nossa vida – diz.

O projeto na praia foi apenas um empurrão para investir no esporte paralímpico. O que começou com um simples divertimento virou coisa séria. Edson conseguiu patrocínios para competir e segue um rigoroso planejamento, com condicionamento físico e alimentação adequados.

– O acidente foi uma coisa muito difícil. Até você entender e absorver que é deficiente, que você é paraplégico, que tem seu corpo, mas infelizmente você não tem ele. Tem que aprender a lidar com um novo corpo – define.