Sem antebraço esquerdo, tenista Thalita Rodrigues é a 4ª do Brasil até 18 anos

Matéria do IG que vale a pena divulgar

Thalita Rodrigues se prepara para sacar na final da etapa carioca do Circuito Nacional Correios de Tênis Infanto-Juvenil. É sua terceira decisão em seis torneios de simples disputados. A bola repousa sobre as cordas da raquete, paralela ao chão. Com um movimento rápido, a jovem brasiliense de 18 anos a lança para cima, bem alto, leva a raquete atrás da cabeça e atinge a bola com força e efeito. A adversária erra a devolução.

Thalita não tem o antebraço esquerdo. Nasceu com a deficiência após a mãe contrair rubéola durante a gravidez.

Apesar disso, a moça treinada pelo pai, Oséias Rodrigues, deve aparecer nesta semana como a terceira colocada no ranking até 18 anos da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) – atualmente está em quarto lugar.

Entre todas as meninas ranqueadas no país na sua idade, há 107 competidoras com pontuação inferior à dela, e só duas à sua frente.

Thalita não tem preparador físico nem patrocínio

 


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Thalita Rodrigues pretende fazer faculdade nos EUA

 

Diferentemente da maioria das adversárias no topo do ranking, que integram equipes de infanto-juvenis, Thalita não tem preparador físico nem nutricionista. Também não tem patrocínio, nem ao menos para as raquetes. Conta apenas com o apoio da loja Real Esporte, para a troca de cordas, que estouram com frequência, devido ao uso diário.

Treina desde os 8 anos de idade com o pai, o ex-tenista profissional e hoje professor Oséias Rodrigues, na Asmec (Associação de Servidores do MEC), em Brasília, e com o auxiliar César Hiragi. Curiosamente, apesar da deficiência física, a caçula é a única das quatro filhas de Oséias a praticar o esporte. “A única que quis jogar foi ela. Eu a vi batendo bola no paredão e percebi que tinha jeito. Vai longe.”

 


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Thalita usa a raquete para lançar a bola e sacar

 

Thalita viaja pelo país participando do circuito graças ao patrocinador da CBT, que banca passagens e hospedagem dos 30 mais bem colocados no ranking, por categoria.

“Ela é o meu orgulho. Só de estar na quadra, é uma alegria. Nunca cobrei porque perdeu. É a minha bonequinha”, disse o pai, Oseias Rodrigues, para quem Thalita está “crescendo a cada torneio” como jogadora.

Apesar de ainda não ter vencido torneios de simples na categoria este ano, já foi campeã de três torneios de duplas, com parceiras diferentes, e disputou o torneio classificatório profissional do Aberto de Brasília.

No primeiro momento e à distância, não se percebe a diferença de Thalita para a oponente na quadra. O jogo é disputado, e as trocas de bolas fundas são violentas e longas, como se espera de tenistas de primeiro nível nacional, na idade prestes ao profissionalismo.

Braço esquerdo é usado na quadra

A deficiência pouco interfere no tênis praticado por ela. Desenvolta na quadra, Thalita usa o braço esquerdo para apoiar a raquete no momento de bater o backhand. Entre os pontos, fixa o “coração” da raquete na ponta do braço esquerdo para descansar o braço direito, usado o jogo todo. Seu forehand de direita é o golpe mais forte, com bolas fundas e velozes.

 


Raphael Gomide

Quarta no ranking nacional, Thalita Rodrigues saca na final do Circuito Nacional Correios, no Rio

 

Ainda assim, a tenista reconhece que a deficiência a atrapalha ao longo dos torneios, à medida que avança na chave. Depois de vencer três jogos nas simples – na competição que reúne os melhores do país – e de ter perdido nas semifinais das duplas, contou ter chegado cansada à final, contra a gaúcha Carmene, também top 5.

O sonho de Thalita é ser profissional e disputar as Olimpíadas, se possível no Rio, em 2016 – as paraolimpíadas não são opção, porque a disputa de tênis é apenas em cadeira de rodas. “Vou treinar para isso.” Seu projeto para 2013 é integrar uma equipe de tênis de alto nível em universidade nos EUA, onde possa treinar com uma equipe e evoluir.

O pai endossa: “Se ela for para uma faculdade com bom treinamento nos EUA, o tênis dela pode crescer. O meu sonho é o sonho dela.”