Balanço do ParaPan do México

“Cumprimos a nossa missão em Guadalajara.” Assim o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons, definiu a participação brasileira na quarta edição dos Jogos Parapan-Americanos. “Essa é a primeira vez que o Brasil vence uma competição multidesportiva fora do país. Isso é uma satisfação imensa. Das 13 modalidades, medalhamos em 12 e ganhamos ouros em nove delas”, destacou.

Com 81 medalhas de ouro, 61 de prata e 55 de bronze, o país repetiu o primeiro lugar no quadro geral de medalhas conquistado no Rio de Janeiro, há quatro anos.

Segundo o presidente do CPB, o país trouxe uma delegação menor para o México e estrategicamente algumas provas não foram abertas. “Mesmo assim, nossos resultados foram melhores do que a última edição do Parapan. O Movimento Paraolímpico Brasileiro está ainda mais forte do que em 2007″, avaliou Parsons, ressaltando os recordes batidos por brasileiros em Guadalajara.

“No masculino foram nove quebras de recordes americanos, 37 parapan-americanos e dois mundiais. No feminino foram três recordes americanos e 17 parapan-americanos. Um total de 68 recordes, contra 51 conquistados por brasileiros no Rio em 2007.”

Além das medalhas, o Brasil ampliou o número de vagas nas próximas Paraolimpíadas. “Chegamos a 104 vagas garantidas pelo IPC (International Paralympic Committee) para Londres 2012. Após o Rio 2007, tínhamos 80. Hoje, temos 17 modalidades asseguradas”, afirmou o presidente do CPB.

Segundo Parsons, “todos os jovens conquistaram a vaga por índice técnico e garantiram a medalha, o que prova que o trabalho vem sendo bem feito. Nós já temos mais qualificados que em Atenas (foram 98), isso sem contar a natação. Temos dez em atletismo e esperamos levar 20 atletas da natação. Rugby em cadeira de rodas, modalidade nova, que tem três anos, não irá a Londres, mas ainda brigamos para levar a esgrima e o tiro com arco.”

Andrew Parsons aproveitou o balanço da participação no México para traçar os novos desafios. “Em Pequim tivemos a quarta maior (delegação) dos jogos, com 188 atletas. Talvez em Londres ela seja menor, mas mais qualificada”, projetou.

Em Guadalajara, quatro modalidades carimbaram a passagem rumo ao maior evento do paradesporto mundial: basquete em cadeira de rodas (feminino), goalball (masculino e feminino), tênis de mesa (10 vagas individuais) e vôlei sentado. O futebol de 5 já chegou ao México classificado.

“Depois que fizemos o planejamento estratégico das 20 modalidades de Londres, e agora com canoagem e triatlon para 2016 (no Rio), pensamos em quatro objetivos: o primeiro lugar no Parapan aqui de Guadalajara (conquistado), o sétimo em Londres; o primeiro em Toronto (Parapan, em 2015) e o quinto no Rio, em 2016. Trabalhamos focados em resultados e renovação”, detalhou o presidente.

Edilson Tubiba, diretor técnico do CPB e chefe de missão da delegação brasileira no México, informou que a aclimatação visando aos jogos de 2012 será feita em Manchester por atletas de 17 modalidades. “Menos o hipismo (que será na França) e a vela. Será a primeira vez que uma delegação inteira vai estar junta. Pensamos em tudo para Londres 2012. Desde a alimentação, já que teremos cozinha própria, à assinatura de TV brasileira. Os atletas ficarão bem à vontade em Londres”, previu Tubiba.

Segundo Andrew Parsons, a operação em Guadalajara custou em torno de três a quatro milhões de reais. “Para Londres, pela lei Agnelo-Piva, o fundo deve ser em torno de seis a oito milhões de reais”, antecipou.

Abaixo, a avaliação do presidente do CPB, Andrew Parsons, sobre o desempenho das modalidades que competiram em Guadalajara.

 

ATLETISMO
“Conquistamos 27 ouros aqui, contra 25 no Rio 2007. A competição deste ano foi muito mais dura, além de ser fora de casa, com Canadá, Estados Unidos e México em alto nível.”

 

BASQUETE EM CADEIRA DE RODAS
“No feminino, saímos do quarto lugar no Rio para a medalha de bronze em Guadalajara, além da vaga para Londres 2012. No masculino tivemos uma queda. Fomos bronze no Rio e aqui ficamos com o quint lugar. Isso mostra uma mudança na realidade do basquete nas Américas, e temos cinco anos para trabalhar uma equipe que possa brigar por medalha no Rio em 2016.”

 

BOCHA
“O segundo lugar, atrás do Canadá, foi um ótimo resultado, pois viemos com uma equipe renovada, com atletas jovens. Fábio Moraes ganhou o ouro na classe BC-4, e ainda tivemos mais dois bronzes, o que ilustra o ótimo trabalho da Associação Nacional de Desporto para Deficiente (ANDE).

 

CICLISMO
“A modalidade teve uma característica diferente em Guadalajara, pois teve uma junção de classes por coeficientes. Nosso desempenho mostrou que os bons resultados do ciclismo são uma realidade. Vamos para Londres com perspectivas de brigar pelo ouro.”

 

FUTEBOL DE 5 PARA CEGOS
“Atual campeão paraolímpico, mundial, e bicampeão aqui.”

 

GOALBALL
“Pela segunda vez na história vamos à Paraolimpíada com as duas equipes. A campanha foi sensacional e iremos brigar por ouro em Londres.”

 

HALTEROFILISMO
“A modalidade passa por renovação. Temos novos nomes despontando, como o Bruno Carra, que ganhou a prata. Estamos criando sete centros de treinamento pelo país, para difundir a modalidade.”

 

JUDÔ
“O Brasil ficou em segundo, com dois ouros e o mesmo número de pratas que a vencedora Cuba, com quatro medalhas. Inclusive o Tenório, tetracampeão paraolímpico. Não dá para esperar ouro sempre. Mas ele é um superatleta e não se brinca com um atleta desse nível.”

 

NATAÇÃO
“O Brasil sobrou nas piscinas. Tivemos 123 provas no Rio, e aqui foram 83. Ganhamos 38% das medalhas de ouro possíveis, com 33 medalhas em Guadalajara. O Brasil é um dos países mais fortes da natação. Daniel Dias é um fenômeno, com 11 ouros. André Brasil ganhou seis ouros, e poderia ser dez, pois quatro provas que disputa não foram realizadas aqui. Vanilton Filho foi medalhista de ouro com apenas 18 anos. Caio Oliveira, também ouro com 18 anos, Talisson Glock, ouro aos 16 anos, além de Joana Silva e Edênia ganhando várias medalhas. Esse panorama nos dá grandes perspectivas tanto para Londres 2012 quanto para o Rio 2016.”

 

TÊNIS DE MESA
“Fizemos barba, bigode e cabelo e no caso das meninas também as axilas. O Brasil ficou com 12 ouros, enquanto o segundo colocado, o México, ficou com apenas três. Foram 24 medalhas ao total.”

 

TÊNIS EM CADEIRA DE RODAS
“Carlos Jordan e Maurício Pomme vêm dividindo o protagonismo desde Atenas 2004, mas estamos trabalhando a Natalia Mayara, 2ª do ranking mundial, que não medalhou, para o Rio 2016. Essa será a sua grande chance. Por ser nova, tem 17 anos, apostamos nela como diamante a ser lapidado.”

 

TIRO COM ARCO
“Única modalidade que não medalhou, mas seria cobrar demais. Estamos tentando dar o máximo para qualificar a modalidade. Os atletas ainda estão na disputa por vaga em Londres, o que seria inédito. Eles ainda terão algumas outras competições para pontuar. Batemos na trave duas vezes aqui, quase conquistamos o bronze, mas perdemos para os americanos.”

 

VÔLEI SENTADO
“Bicampeão Parapan-americano, em cima dos Estados Unidos, e com vaga garantida para Londres 2012. O Brasil encontrou seu melhor vôlei, de altíssimo nível, o que nos leva a sonhar com uma excelente participação nas Paraolimpíadas.”