Campeão Mundial volta às origens e visita familiares em Irati

Não é fácil viver em uma sociedade em que mesmo as ações mais simples se tornam verdadeiros desafios para quem possue alguma deficiência. Os limites físicos, por vezes aparentes, outras, não tão evidentes, perdem espaço diante da persistência, do espírito de luta e do amor pela vida que fazem com que essas pessoas lutem para superar seus limites. E através do esporte e das competições paraolímpicas que muitos deles têm a oportunidade de mostrar a sociedade o seu valor como atleta e cidadão.

Esse é o caso do atleta Gilson José dos Anjos. Desde os três anos de vida Gilson tem um problema grave de visão que o impossibilita de enxergar normalmente.

Nascido em Fernandes Pinheiro, mas registrado em Irati e hoje morando na cidade de Joinville/SC, Gilson retornou à terra natal há algumas semanas para visitar familiares. O repórter Tadeu Stefaniak esteve com ele e ouviu um pouco da sua história.

Vencer a discriminação é só um dos desafios do atleta que pratica atletismo há 11 anos. Gilson tem apenas 15% de visão, mas isso, não o impede de participar de competições paraolímpicas sozinho e sem auxílio de guia. “Qualquer um pode correr, mesmo enxergando quase nada. É só querer, poder e crer”, disse em tom emocionado Gilson, que perdeu 85% da visão em função de uma meningite contraída ainda nos primeiros anos de vida.

Durante o bate papo, Gilson revelou que suas especialidades são as provas de 400, 800 e 1.500 m individual. O atleta é bastante experiente em competições nacionais e também internacionais e representou o País em vários campeonatos mundiais e nas Olimpíadas de Atenas (Grécia), em 2004, e Pequim (China), em 2008.

Em Atenas, o fundista conseguiu se superar conquistando uma inedita medalha de prata na prova dos 800 metros rasos, B2, ficando atrás de outro brasileiro Odair Santos, que terminou na 1ª colocação. Dois anos depois, Gilson voltou a brilhar na mesma prova sendo Campeão Mundial, na Holanda.

Em 2008, a expectativa era de que o atleta pudesse melhorar o desempenho da Olimpíada anterior e alcançar a posição mais alta. Mas em uma disputa bastante equilibrada, Gilson ficou fora do pódio e terminou com a 4º colocação. Mas a frustração de não ter conseguido a medalha de ouro não tirou a esperança do atleta que continua treinando todos os dias para voltar a disputar a maior competição paraolímpica mundial.

Depois de 25 anos longe da cidade em que nasceu, a visita lhe trouxe bons fluídos. Para Gilson, o carinho que recebeu dos seus familiares foi uma importante fonte de inspiração para que ele se dedique ainda mais nos treinamentos visando as Olimpíadas de Londres (Inglaterra), em 2012.
“Iniciamos os treinamentos para as Olimpíadas de Londres e, com certeza, estaremos lá representando a nossa cidade natal apesar de que eu moro em Joinville. Sou um paranaense de sangue e sempre serei. Desta vez, espero voltar de lá com a medalha de ouro do peito”, diz Gilson.

Fonte: Rádio Najuá AM 990