Luiz Henrique Medina, o Kaike é exemplo de superação

Para comemorar o Dia Nacional de Luta das Pessoas Deficientes, Jaú recebeu o para-atleta Luiz Henrique Medina, 60 anos.  Kaike, como gosta de ser chamado, nasceu sem os dois braços, perna esquerda, dedão do pé direito,  língua e maxilar.  Durante 20 anos fez operações por todo o corpo, totalizando mais de 40 cirurgias.

Abandonado quando nasceu, ficou sob a guarda do juizado de menores até os seis anos de idade. Depois disso, foi para o Lar e Escola São Francisco em São Paulo. Aos 11 anos, descobriu que o seu QI era equivalente ao de uma criança de seis. “A deficiência fez com que eu tivesse um retardo mental e o resultado disso era que eu não conseguia me comunicar com ninguém”, conta. Fez tratamento físico e psicológico e com isso conseguiu desenvolver sua capacidade. Aos 18 anos, descobriu outra mudança no QI. Agora, acima do normal.

Após concluir o ensino médio, cursou Citologia na USP (Universidade de São Paulo) em São Paulo e especializou-se como analista de exame papanicolau. Concorreu com mais de 150 pessoas em um concurso público para quatro vagas e foi classificado em primeiro lugar.  Trabalhou por 30 anos manuseando um microscópio e se aposentou em 1997.
Campeão
Com foco no esporte, fez natação, mas não se adaptou. Em 2000, iniciou no tênis de mesa e a partir daí não saiu mais. “Ele me dá agilidade física,  mental e bom desempenho sexual”, conta o atleta.

Participou de várias competições em vários países, como França, EUA, Venezuela, Romênia, Costa Rica e em muitos foi campeão. Ele conta que nesse ano já passou pela seletiva dos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara 2011, no México. Atualmente ocupa a 27° posição no ranking mundial na classe seis (considerada com maior grau de deficiência).

Kaike prova que tudo é possível. “Qualquer pessoa pode conseguir, basta ter força de vontade e apoio. Hoje temos empresas e prefeituras que patrocinam”. Para ele, quanto mais apoio, mais atletas paraolímpicos aparecerão. “Deficiente físico tem força, garra e se dedica ao que faz. Muitas vezes o que falta é oportunidade”. Através de sua garra e perseverança, Kaike se tornou além de exemplo de vida e superação, um grande atleta. “Não adianta dar a vara para pescar para a pessoa que não quer pescar. Eu aproveitei o máximo dessa ajuda. Hoje eu tenho um filho de 21 anos. Estou com a vida boa. Fui e continuo sendo útil à sociedade”.

Fonte: Tamara Urias – Agência BOM DIA