Home care como política pública

ra quem achava que tarefa de cuidador é uma obrigação da família (sim…há quem ache isso!…e pior… há gestor de entidade “em prol de deficientes” que também acha isso….), é bom saber que em outros países há políticas públicas específicas parahome care.

Um dos programas mais bem estruturados é o da Inglaterra.  Mas o Chile também tem sua política de assistência integral, numa demonstração clara de que é possível a qualquer país – de primeiro mundo ou não – tirar as leis do papel e transformá-las em ações efetivas.

Cumpre ressaltar que a implementação de programas como esse, mais que vontade política, são fruto de uma consciência coletiva da qual ainda estamos longe.

É preciso um olhar disvinculado de dogmas religiosos e que seja capaz de dissociar o amor familiar e a solidariedade do castigo da abnegação, do sacrifício pessoal de familiares que são impelidos a abrir mão da própria vida, de seus planos e sonhos, e até mesmo de sua atividade financeira para tornarem-se – mais que cuidadores –supressores em tempo integral das necessidades do membro prejudicado.

A tarefa, muitas vezes, excede o emocional, tornando-se fisiologicamente sobrehumana já que, diferente de um cuidador profissional, que tem horários de trabalho e de folga definidos, o supressor de necessidades familiar não tem outra perspectiva a não ser o cotidiano ininterrupto de tarefas como alimentação, higiêne, administração de medicamentos, manutenção de equipamentos, acompanhamento em deslocamentos, etc.

Stress, depressão e tendências suicidas não tardam a se manifestar e são raras as estruturas familiares que resistem a tal desgaste. Some-se a tudo isso a dor de ver o ente querido numa condição humana difícil e, na maioria da vezes irreversível e progressiva, além do cruel e descabido sentimento de culpa por sua própria exaustão física e emocional.

Muitas são as demandas que envolvem pessoas com deficiência e suas famílias: educação inclusiva, inserção no mercado de trabalho, direitos previdenciários especiais, isenções de impostos, enfim, a lista é imensa e integralmente justa e necessária. Mas algumas questões são de vida ou morte.

Daí que a gerência de políticas públicas precisa estar pautada pelo conhecimento, de modo a estabeler prioriadades. E  o conhecimento se constrói na diversidade, no olhar sobre as diferentes condições e necessidades. Também se alimenta da experiência, do exemplo das boas práticas e do testemunho daqueles que vivenciam os problemas.

A palavra “público” vem do latim publicus significando o que é relativo ou pertencente ao povo, à população; portanto, significando o que é de todos.

Pois bem! As políticas públicas só farão juz a seus nomes quando realmente saírem dos textos das leis, das comissões políticas, dos projetos e  isntituições,  e sua natureza for internalizada por toda a sociedade e efetivamente forem postas a serviço de todos.

Até lá, continuaremos a assistir, indignados e impotentes, ao uso indiscriminado e indevido de recursos que são de todos nós e à ingerência de pessoas e instituições que escolhemos para nos representar e suprir.

Fonte: adonews.wordpress.com