Quarenta recordes brasileiros são quebrados

As disputas do Atletismo deram um gostinho especial à segunda Etapa Nacional do Circuito Loterias CAIXA, na pista do Ibirapuera, em São Paulo. A última competição antes dos Jogos Parapanamericanos de Guadalajara movimentou o público e os atletas que tiveram a chance derradeira de conseguirem o índice para a convocação. Só na modalidade foram quebrados 23 recordes brasileiros.

O destaque do dia foi a prova do brasileiro Odair dos Santos, mais novo detentor dos recordes mundiais dos 800m e 1500m rasos, com o canadense Jason Dunkerley, 3º no ranking mundial, na classe T11 (perda total de visão). Odair Santos corria na classe T12 (baixa visão) e como no fim de 2010 deixou de enxergar completamente, teve que mudar de categoria e hoje encara novos adversários.

O canadense atravessou o continente para enfrentar seu novo adversário, mas foi o brasileiro quem levou a melhor, com o tempo de 1m59s82.

 

odair e canadense A presença do canadense é muito boa para o evento. Ele é um atleta muito forte e está sempre brigando pelas primeiras posições em todas as competições pelo mundo. Eu fico muito feliz por tê-lo vencido hoje. Esse resultado foi mais uma conquista na minha vida. Atravesso um período difícil por causa de uma lesão (na virilha) e chegar aqui, competir e ficar muito próximo da minha melhor marca, que é o recorde mundial (1m58s47, feito na primeira etapa do Circuito e aguarda homologação do Comitê Paraolímpico Internacional) me deixa feliz. Estou muito próximo das marcas que fazia quando eu enxergava”, comentou Odair.

Mesmo com a derrota, Jason aprovou a participação no evento e elogiou a atuação dos atletas brasileiros.

“O Brasil tem muitos atletas que são os melhores do mundo. Os paraolímpicos correm para vencer e eu vim aqui só para competir com ele”, explicou Jason.

Recordes na água
Foi difícil encarar o frio dentro e fora da piscina do Sport Club Corinthians, na manhã deste sábado, 3. Ainda assim os mais de 200 nadadores enfrentaram a sensação térmica de 10°C. A competição foi marcada pela superação. Foram quebrados 10 recordes brasileiros.

“Esta etapa é a última competição que temos para avaliarmos os atletas. Entendemos que alguns estão em ciclos de treinamento diferentes, já focados no Parapan, e que outros se dedicaram bastante para melhorarem suas marcas. O resultado disso foram os recordes”, avaliou o coordenador técnico nacional da natação, Murilo Barreto.

Ele frisa ainda que todo o trabalho de classificação para a convocação será feito visando a meta do Brasil no Parapan, que é repetir o primeiro lugar no quadro geral de medalhas, assim como ocorreu no Rio 2007.

“Temos mais de 90 atletas com índice para o Parapan e apenas 33 vagas. Teremos que avaliar também a classificação no ranking das Américas e analisar os perfis para melhor compor o grupo que irá ao México”, ressaltou Barreto.

halterofilismo 03 09 2011 circuito

No halterofilismo, recorde panamericano e índice para Guadalajara foram os destaques do primeiro dia de competição. Vindo direto de Natal, René Belcassia Souza, de apenas 22 anos, está acostumada a quebrar recordes brasileiros. Dessa vez, porém, foi especial. Na última competição antes do Parapan, a potiguar veio determinada a melhorar a marca da categoria até 48kg.
Na primeira tentativa, René estabeleceu o novo recorde brasileiro, com 57,5kg. Não satisfeita, tentou novamente, e melhorou: 59kg. Na terceira tentativa, mais uma quebra de recorde e nova marca parapanamericana, com 61kg levantados.

“Eu treino há três anos e meu sonho é chegar a um Parapan. O halterofilismo mudou minha vida. Antes eu não aceitava minha deficiência. Com o esporte, conquistei muita coisa e quero mais”, revelou.

Inspiradas, as meninas fizeram bonito. Houve mais três quebras de recordes nacionais, com Edilândia Araújo(+82,5kg), de Uberlândia, que levantou 104kg; Cleide Campos (até 40kg) com a nova marca de 56kg; e Josilene Ferreira (+75kg) que levantou 115kg.

Além do recorde brasileiro, Josi garantiu presença na equipe que irá disputar o Parapan de Guadalajara. Medalhista de bronze no Parapan do Rio, em 2007, a atleta não conteve as lágrimas de alegria após a prova.

“Esse recorde foi especial porque estava batendo na trave há alguns meses. Eu planejei e deu certo. Veio num momento certo. Temos chances de medalha no México e vou buscar o ouro”, falou a veterana, emocionada.

Também de olho nos Jogos Parapanamericanos de Guadalajara, que ocorrerá em novembro, em Guadalajara, Maria Luzineide Santos, também do SADEF, do Rio Grande do Norte, conquistou o MQS (Minimum Qualifying Standard) para a competição no México. A atleta, que compete na categoria até 67,5kg, levantou 80kg.

Os meninos também melhoraram suas marcas e quebraram recordes brasileiros. Josenildo Silva (-48kg) levantou  112,5kg e Alexandre Gouvea(-52kg)  132,5, além de recorde, MQS.

“Estou muito feliz. Lutei para abaixar meu peso e descer de classe. Foi duro. Mas esse sacrifício valeu muito à pena, pois conquistei o índice para ir ao Parapan”, festejou.

Fonte: CPB