Moradores da Vila dos Para-atletas, em Paulista, sofrem com descaso

Um lugar construído para a moradia de deficientes físicos precisa ter condições de acesso, como rampas, e nada de buracos.  Mas não é assim em uma vila de Paulista. Quem mora em outras áreas da cidade também sofre com o acesso. O Centro de Convivência Albert Sabin é mais conhecido como a Vila dos Para-atletas. Criado há 18 anos, pelo Governo do Estado, o Centro abriga famílias que tenham pelo menos um deficiente físico. Hoje, o lugar está abandonado, quase esquecido. Onde deveria haver rampas, só existe mato. Para-atleta da Seleção Brasileira de Basquete em Cadeira de Rodas, José Soares  reclama do esquecimento. “Muita coisa precisa melhorar aqui dentro. Hoje as facilidades para os cadeirantes não existem mais”, ressalta.

Na noite do dia 29 de abril, uma barreira desabou sobre um quarto da casa de dona Maria de Lourdes. A Defesa Civil decidiu que 13 famílias, que têm as casas muito perto da encosta, terão que sair dali. Dona Lourdes não aceita, ela reclama do valor de R$ 150 que querem pagar para as famílias. “Por menos de R$ 350 ninguém encontra uma casa por aqui”, avisa.
No bairro do Janga, na rua Manoel de Aquino, o aposentado cadeirante Edson Ribeiro diz que se sente ilhado. Quando dá, ele circula pelas calçadas. Mas quase não tem acesso à rua, esburacada e cheia de lama. A obra de calçamento, prometida pela Prefeitura, está parada. “Desde 2006 foi liberada a verba. E até agora não foi feito absolutamente nada”, lamenta.

O NETV mostrou os dois problemas no dia 6 de maio. Foram mostradas as condições da vila dos para-atletas e o drama dos moradores atingidos pela queda da barreira. A reportagem mostrou também a rua Manoel de Aquino, no Janga, cheia de água de chuva que não tinha escoado.

O secretário de Desenvolvimento Social de Paulista, Rubens Conde, confirmou que a Defesa Civil recomendou a retirada das famílias próximas à barreira enquanto se faz o trabalho de contenção da encosta. “Nós já cadastramos essas famílias e até quarta-feira desta semana o benefício já estará à disposição delas, para que elas possam sair dessas casas imediatamente. Esse valor foi estipulado em lei e infelizmente, neste momento, nada pode ser feito no sentido de aumentar este valor. Aliás, este é valor pago até pelo Governo do Estado. Assim que esse trabalho for feito, essas famílias retornam para suas casas. E, enquanto o trabalho não é feito, elas recebem o auxílio-moradia”, pontua.

Já o secretário de Infraestrutura de Paulista, Francisco Maia (foto 3), explicou por que a rua Manoel de Aquino ainda não foi calçada. “Contratamos uma nova empresa, que vai receber na próxima semana ordem de serviço e com isso, nesse novo processo, nós trocamos de paralelepípedo para pavimentação asfáltica. Nosso prazo para conclusão é em torno de 90 dias”, disse. No dia 20 de outubro, portanto, a reportagem do NETV volta até lá para conferir.

A Prefeitura de Paulista disse que a obra será feita em parceria com a Cehab, a Companhia Estadual de Habitação e Obras.

Fonte: Deficiente.com.br

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