O que é Classificação Funcional?

Classificação funcional é o que estrutura uma competição. Os atletas paraolímpicos possuem uma deficiência em estruturas e funções corporais que levam a uma desvantagem competitiva no esporte. Consequentemente, são utilizados critérios que garantam que a vitória seja determinada pela habilidade, aptidão, poder, resistência, capacidade técnica e foco – os mesmos fatores explicam o sucesso de atletas fisicamente aptos.

Os critérios definem que grupos de deficiências podem competir nos diferentes esportes; além de reunir atletas em classificações definidas pelo grau de limitação relacionado à deficiência e às tarefas específicas de cada modalidade. Assim, atletas com diferentes deficiências – mas que tenham certa relação – podem competir juntos.

No Movimento Paraolímpico existem atletas pertencentes a seis categorias: amputados, paralisia cerebral, deficiência visual, lesão medular, deficiência mental e “les autres”, que reúne todos os esportistas que não se enquadram nos outros grupos de deficiência.

O enquadramento em uma categoria passa por avaliações técnicas e físicas, além de períodos de observação, dentro e fora de competições. As classificações são definidas de acordo com cada esporte, tendo em vista suas regras de classificação junto à respectiva Federação Internacional. A classificação funcional é passível de mudança, uma vez que os atletas podem ser realocados durante a carreira.

Classificação Funcional por esportes:

Atletismo

Gerenciado pelo Comitê Paraolímpico Internacional (IPC), possui diversas categorias. Para as provas de campo, como arremesso, lançamentos e saltos, aceita deficientes visuais, deficientes mentais, paralisias cerebrais, portadores de nanismo, cadeirantes, amputados e ainda aqueles que se enquadram no grupo “les autres”. Já nas provas de pista (corridas), dentre os já citados, apenas portadores de nanismo não podem participar.

Basquete em cadeira de rodas

Regulado pela Federação Internacional de Basquete em Cadeira de Rodas (IWBF), é designado para atletas que possuem deficiências físicas que impedem correr e pular.

Os atletas recebem pontuação para suas classificações. As notas vão de 1 a 4, com classes decimais intermediárias para casos excepcionais que não se enquadram exatamente em uma categoria. Existe ainda a categoria 4,5 para jogadores com lesões mínimas – sendo que as equipes não podem jogar somando mais de 14 pontos.

Bocha

Coordenada pela Associação Internacional dos Desportos e Recreação da Paralisia Cerebral (CP-ISRA), é aberta a atletas com paralisia cerebral (ou condições neurológicas semelhantes) e que usam cadeira de rodas.

Ciclismo

O órgão responsável é a União Internacional de Ciclismo, que supervisiona atletas deficientes visuais, paralisias cerebrais e amputados, além de outras categorias. É dividido em três classes:

– LC (Locomotor Cycling), para atletas com dificuldades de locomoção – que vão desde pequenos prejuízos nos membros inferiores, até amputados, passando por ciclistas que usam próteses;

– Tandem, para deficientes visuais. Nesta modalidade, o atleta compete com um guia;

– Handbike, para atletas paraplégicos que usam um modelo adaptado de bicicleta, impulsionada com as mãos

Esgrima

Coordenada pela Federação Internacional de Esportes para Amputados e Cadeirantes (IWAS). Permite atletas com paralisia cerebral, amputados e lesões medulares. As limitações mínimas exigidas são deficiências dos membros inferiores de nível comparável a amputações até o joelho.

Futebol de 5

É regulado pela Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA) seguindo as regras da FIFA. Permite apenas jogadores deficientes visuais, existindo a possibilidade de um atleta não-deficiente para a função de goleiro. Entretanto, todos precisam usar vendas.

Futebol de 7

Obedece à Associação Internacional dos Desportos e Recreação da Paralisia Cerebral (CP-ISRA), com o regulamento da FIFA. Disputado por atletas portadores de paralisia cerebral de diferentes níveis, sendo os de maior comprometimento motor geralmente colocados na função de goleiro.

Goalball

Também sob a jurisdição da Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA), é um esporte exclusivo para deficientes visuais. Os atletas competem em três categorias, que englobam diferentes níveis de deficiência, desde cegueira total à certa acuidade visual – sendo que os atletas que não são totalmente cegos utilizam vendas.

Halterofilismo

Coordenado pelo IPC e disponível para atletas com paralisia cerebral, lesões medulares, amputados dos membros inferiores e les autres que atendam aos requisitos mínimos.

Hipismo

Regulado pela Federação Internacional de Equitação, possui quatro classes:

– Classe I: cadeirantes com pouco equilíbrio do tronco ou membros com as funções debilitadas, ou ainda sem nenhum equilíbrio no tronco, mas com membros funcionando bem;

– Classe II: cadeirantes ou debilidades severas no tronco ou bom equilíbrio do tronco, mas com debilidade unilateral severa

– Classe III: não-cadeirante com debilidade unilateral moderada ou cegos

– Classe IV: deficientes visuais de grau baixo ou com um ou mais membros debilitados

Judô

Sob a tutela da Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA), é destinada a deficientes visuais e dividida em três classes:

– B1: cegueira total

– B2: atletas que possuem percepção de vultos (com acuidade visual de até 2/60)

– B3: atletas que conseguem definir imagens (com acuidade visual entre 2 e 6/60)

Natação

Coordenada pelo IPC com as regras da Federação Internacional de Natação, permite a participação de nadadores com deficiência visual, física e cegos. São diversas classes que se dividem em três principais categorias, sendo a primeira para atletas com limitações físico-motoras; a segunda para deficientes visuais e a terceira para deficientes mentais.

Remo

Regido pela Federação Internacional de Remo. Obedece às seguintes classes:

– Para braços (A1+): paralisia cerebral, prejuízo neurológico, perda de função motora no tronco e membros inferiores

– Para tronco e braços (TA2x): paralisia cerebral nível 5, amputados dos membros inferiores e prejuízos neurológicos equivalentes ao de uma lesão medular nível L4

– Para pernas, troncos e braços (LTA 4+): cegueira com até 10% da visão; paralisia cerebral nível 8; amputação de um pé ou de três dedos da mão; danos intelectuais e danos neurológicos com mínima perda motora.

Rúgbi

Para tetraplégicos, regulado pela Federação Internacional de Rúgbi em Cadeira de Rodas.

Tênis de Mesa

Coordenado pela Federação Internacional de Tênis de Mesa, permite atletas de todos os grupos de deficiência, exceto os deficientes visuais. As três grandes categorias são: cadeirantes; andantes; andantes com deficiência mental.

Tênis em cadeira de rodas

Faz parte da Federação Internacional de Tênis. Para competir, os atletas devem possuir perda total ou parcial de pelo menos uma das pernas.

Tiro com arco

Ligado à Federação Internacional de Arco. Permite atletas com deficiências físicas, incluindo lesão medular, paralisia cerebral, amputados e les autres. As categorias são:

– Tiro com Arco em Pé (ARST): atletas com algum grau de perda de potência nos membros inferiores

– Tiro com Arco em Cadeira de Rodas 1 (ARW1): tetraplégicos

– Tiro com Arco em Cadeira de Rodas 2 (ARW2): paraplegia e mobilidade articular limitada nas pernas

Tiro esportivo

Regulado pelo IPC, é praticado por atletas portadores de deficiência física. Divide-se em três classes:

– SH1: atiradores que não precisam de suporte para a arma

– SH2: atiradores que precisam de suporte para a arma

– SH3: atiradores com deficiência visual

Vela

Coordenado pela Associação Internacional de Vela para Deficientes, em conjunto com a Federação Internacional de Vela. Destinado a atletas amputados, com paralisia cerebral, deficiência visual, lesão medular e les autres.

A classificação se baseia em quatro fatores: estabilidade, função motora, mobilidade e visão. Os velejadores competem em três eventos, sendo o “Single-Person” e o “Three-Person” é aberto para a maioria dos grupos, e o “Two-Person” exclusivo para atletas com deficiência severa.

Vôlei sentado

É regulado pela Organização Mundial de Vôlei para Deficientes. Nele competem atletas com dificuldade de locomoção e amputados e as classes são divididas entre amputados e les autres, sendo que nesta última competem também paralisados cerebrais e atletas com lesões medulares.

Fontes: sites oficiais do IPC, CPB, IWBF, IWAS, IBSA, CP-ISRA

Texto: Rafaella Gil

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