Jatobá: A História de um Campeão

Apaixonado por esportes, Jatobá dedica sua vida a dois objetivos: obter grandes conquistas nas quadras de basquete e trabalhar o esporte como alternativa de inclusão social.

O paulista Paulo Cesar dos Santos, de 38 anos, mais conhecido como Jatobá, é o típico apaixonado por esportes. Quando criança, tinha o futebol como meta profi ssional e chegou a competir nas categorias de base do futebol brasileiro vestindo a camisa do Santos Futebol Clube. Aos 10 anos, um acidente doméstico com arma de fogo fez com que Jatobá mudasse os planos em relação ao futebol. A veia esportista, no entanto, sempre falou mais alto e Jatobá encontrou no Basquete em Cadeira de Rodas uma nova inspiração para grandes conquistas.

Nesta entrevista, um dos fundadores do CAD (Clube Amigo dos Deficientes) ao lado de Vera Godoy, presidente da Vetnil, fala de sua vivência no esporte adaptado e como atleta da Seleção Brasileira de Basquete sobre Rodas.

Sempre praticou basquete ou já teve experiência com outras modalidades do esporte adaptado?

Comecei no esporte adaptado em 1999, na modalidade Natação, na cidade de Santos. No mesmo ano conheci o Basquete Sobre Rodas e me apaixonei. Foi com o Basquete que conquistei tudo em minha vida.

Como é ser parte da Seleção Brasileira de Basquete sobre Rodas e que experiências já teve vestindo a camisa da Seleção?

Estou na Seleção desde 1992, quando participei pela primeira vez de uma partida, na Cidade do México, no Parapanamericano. Sem dúvida é sempre muito gratifi cante representar o seu País e tive muitas oportunidades de fazer isto. Participei de 3 Parapanamericanos, 3 Mundiais e 1 Paraolimpíadas, em Atenas, na Grécia. Também tive uma grande experiência em 2008, na Paraolimpíadas da China, quando atuei como coordenador técnico da Seleção Feminina. Recentemente, em 2010, estive na Venezuela disputando o Sulamericano, quando nos sagramos campeões.

Como foi que se tornou cadeirante?

Sou cadeirante desde 1983 . Sofri uma lesão medular em acidente com arma de fogo. Meu primo foi me demonstrar uma arma e acidentalmente disparou. Como consequência, adquiri paraplegia, perdendo os movimentos dos membros inferiores.

Como foi a decisão de se dedicar ao esporte e porque o basquete?

Sempre fui apaixonado por esporte. Antes do acidente jogava futebol no Santos Futebol Clube nas categorias de base. Graças a Deus sempre tive pessoas boas ao meu lado e que sempre me ajudaram. Tenho um amigo, o Renato Sabino, que me apresentou a uma entidade de Santos, a Adfi sa (Associação dos Defi cientes Físicos de Santos) e foi aí que tudo começou. Comecei na Natação, mas logo que me apresentaram o Basquete e que sentei em uma cadeira de rodas fi quei apaixonado e nunca mais larguei a modalidade.

Atualmente, além do basquete, quais são suas atividades?

Minha rotina é muita ligada à promoção da inclusão social através do esporte. Assim, sou vice-presidente do CAD, da Federação Paulista de Basquete Sobre Rodas e do Conselho Municipal da Pessoa com Defi ciência em São José do Rio Preto. Também coordeno um projeto na Secretaria de Esporte chamado Integração.

Como foi o início de suas atividades com o CAD?

Eu conheci a dona Vera Godoy quando fazia parte de uma outra equipe que tinha a Vetnil como patrocinador. Resolvemos nos desligar desta equipe para formar uma nova entidade, no formato que a gente idealizava. Foi aí que surgiu o CAD. Fui fundador ao lado da dona Vera e presidente de 2004 a 2008. A partir de então ela assumiu a presidência. Hoje o CAD é uma grande entidade com especial importância na vida de muitas pessoas e no cenário paraolímpico. Isso sem dúvida é motivo de muito orgulho para nós. Você obteve uma grande conquista quando foi convocado para a Seleção Brasileira, mas que objetivos ainda pretende atingir? Minha próxima meta é ser novamente convocado para a Seleção, desta vez para os jogos Parapanamericanos, em Guadalajara, no México. Também quero conquistar a vaga para a Paraolimpíadas de 2012, em Londres.

Fonte: Vetnil e Ser Lesado

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