No ciclismo dos Parajasc, a forma da inclusão

A competição foi disputada somente por deficientes visuais (D.V.), nos dois naipes, e deu demonstração de quanto as pedaladas são importantes para a inclusão social e contra o preconceito. A largada e a chegada ocorreram junto à Praça Walnir Bottaro Daniel, no Centro da cidade.

Ao final da prova, o ciclismo levou ao pódio paraatletas multicampeões, não apenas em obter marcas, mas em lições de vida. No feminino, a medalha de ouro ficou com Raquel Elisa Gehm, de Chapecó; Mara Socorro Pinheiro, de Itajaí, ganhou prata; e Luzia Ribeiro, de Joinville, levou o bronze.

No masculino, o ouro ficou com Luciano Iuncek, de Taió; Émerson Garcia da Rocha, de Chapecó, garantiu a prata; e o bronze foi para Miguel Barbosa da Silva, também de Chapecó. No feminino, o troféu ficou com Chapecó, que marcou 10 pontos, contra 7 de Joinville e 6 de Itajaí. No masculino, houve empate na pontuação, 10 a 10, entre Taió e Chapecó, mas o troféu ficou com Taió. O regulamento dos Parajasc estabelece que se houver empate em pontos, o troféu vai para quem obteve a melhor classificação.

Fábrica de títulos, e sonhos na carreira

O lema dos Parajasc, “Sem limites para vencer”, se encaixa, perfeitamente, com os campeões na modalidade de ciclismo. Raquel, 19 anos, 100% deficiente visual, treina duas vezes por semana durante uma hora. Começou disputando competições locais e se consagrou nos Parajasc. Estreou em 2007, em Jaraguá do Sul, no atletismo, e conseguiu medalha de prata na prova de 1,5 mil metros. Em 2008, na modalidade de goalball, ficou em 3º, nos Parajasc em Chapecó; e, em 2009, obteve o 2º lugar, na mesma modalidade, em Caçador.

O sonho de Raquel é poder treinar mais para melhorar o tempo e disputar competições nacionais. “Fiquei surpresa com o primeiro lugar, pois tive pouco tempo de treinamento”, confessou. “E essa vitória significa a superação das dificuldades que a sociedade ainda nos impõe”, afirma. Foi a primeira vez que Raquel disputou o km contra-relógio. “Ela está de parabéns por estar aqui, participando desse esporte. A família toda veio assistí-la. Ela se sente valorizada e incluída na sociedade”, destacou o guia e técnico Jair Damásio, que, há 23 anos é ciclista.

O currículo de Luciano, vencedor no contra-relógio entre os homens, é mais amplo nos Parajasc. Já disputou seis das sete edições: foi campeão em 2005, 2006 e 2011, e vice-campeão em 2007, 2008 e 2009, anos em que teve problemas na bicicleta, segundo o técnico e guia Valmor Giovanella, atual líder do ranking catarinense de ciclismo na categoria veteranos.

A especialidade de Luciano era a prova de longa distância, tanto que venceu o 4º Desafio Márcio May, em Rio do Sul, em novembro do ano passado, com percurso de 46 quilômetros. Agora, o paraatleta vai se preparar em São Paulo. No dia 9 de julho, ele participa de prova de 50 quilômetros em busca de índice para os Jogos Parapan-Americanos, em Guadalajara (México) ainda neste ano. “O ciclismo mudou a minha vida. Chegar na Paraolimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, é o meu maior sonho”, avisa.

A 7ª edição dos Parajasc começou no último dia 2 e vai até o próximo dia 8, envolvendo paraatletas de 64 municípios do Estado, A promoção é da Fesporte, com apoio das Secretarias de Desenvolvimento Regional (SDRs) e prefeitura de São Miguel do Oeste.

Fonte: Adjorisc

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