Paraatletas de São José: a medalha é o de menos

No peito, três medalhas. Duas de ouro e uma de prata. Para qualquer atleta, obter um resultado parecido com esse em qualquer competição é motivo de comemoração. Para o paraatleta, Lucas Andrade, 18, ter no pescoço essas três medalhas nem chegam perto da conquista que foi poder caminhar, pela primeira vez, aos nove anos de idade.

Diagnosticado com paralisia nas primeiras horas de vida, Lucas encontrou no atletismo uma motivação para melhorar sua qualidade de vida. Assim como ele, outras crianças e adolescentes de São José, portadoras de algum tipo de deficiência – mental ou motora – tem a oportunidade de se exercitar. E melhor, através da prática esportiva conquistam medalhas e viajam pelo Brasil para mostrar seu talento.

Desde que foi criado, em 2009, o projeto esporte adaptado, vinculado à Secretaria Municipal de Educação, em São José, atendeu mais de 100 crianças e adolescentes portadores de necessidades especiais. O trabalho não é feito sozinho, a FCEE (Fundação Catarinense de Educação Especial), Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) e a Apedesc (Associação de Pessoas com Deficiência em Santa Catarina) são parceiras do trabalho.

Muito mais do que trazer nas malas medalhas, a educadora física e uma das coordenadoras do projeto, Flávia Zanon, garante que os paraatletas tornam-se muito mais confiantes no seu potencial. “Eles ficam eufóricos ao pensar que nos próximos meses muitos vão viajar para São Paulo, representando a cidade na etapa nacional dos jogos escolares paraolímpicos que acontecem em agosto”, antecipa.

 

Histórias de vida

A grande diversão de Pablo Henrique Duarte, 15, portador de uma síndrome que restringiu seu desenvolvimento e do amigo Lucas Andrade, 18 é correr e arremessar discos e pelotas. As gêmeas Pâmela e Paloma Aparecida Almeida de 15 anos, não ficam longe dos meninos, e também se destacam nas raias das pistas de atletismo.

Do lado de fora das competições, quem não tira os olhos dos corredores e vibra com cada passo dado pelos garotos, são as mães. Márcia Regina Andrade, 48, mãe de Lucas, e Nilza Dutra, 57, mãe do Pablo, emocionam-se ao perceber a evolução dos filhos.

O orgulho é tanto que Márcia carrega cuidadosamente dentro da bolsa as três medalhas do filho. “Desde que ele nasceu, cada dia é uma luta e uma vitória. Quando me ligaram falando que ele tinha vencido, eu chorava e gritava de tanta felicidade”, recorda.

Para torcer ainda mais de perto pelo filho, Nilza abdica de seu cotidiano e larga tudo para acompanhar Pablo nas viagens. “É uma sensação maravilhosa poder ver o quanto ele tem evoluído. Se não fosse o esporte, não consigo imaginar como seria a vida do meu filho”, comenta.

Inquietas como qualquer adolescente, as gêmeas Pâmela e Paloma, de 15 anos, não se desgrudam. E no final das contas, nem se importam em só Paloma ter subido ao pódio durante Parajesc (Jogos Escolares Paradesportivos de Santa Catarina). “Foi tudo divertido”, lembra Pâmela, que assim como a irmã, foi descoberta pela professora Flávia Zanon, durante uma corrida rústica.

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