Centro de treinamento no DF atende deficientes que sonham com vaga paraolímpica

Eles não imaginavam que a vida mudaria dessa maneira. Antes de chegarem à Associação de Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetefe), muitos dos alunos que hoje lá estão procuravam apenas um esporte para que desviasse a atenção daquilo que teriam de enfrentar diariamente, normalmente uma recém-adquirida deficiência física. Outros, nem isso. Só foram ao local porque professores ou médicos os orientaram a fazê-lo.

Carlos Moura/CB/D.A. Press

Essa descrença inicial, em muitos casos, ganhou um novo sentido com o tempo. Encontraram no centro de treinamento e no novo esporte a possibilidade de transformação. Hoje, há pelo menos 102 atletas de elite no Cetefe, que se tornou uma fábrica de promessas paraolímpicas.

As deficiências podem ser físicas, visuais, auditivas ou mentais. Segundo o coordenador da Associação de Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetefe) Ulisses de Araújo, é comum receber pessoas com a autoestima baixa, consequência, muitas vezes, das necessidades especiais. Esse desânimo, porém, começa a ser trabalhado logo no início do processo.
O brasiliense Luciano Reinaldo foi um dos que descobriram um real talento no Cetefe. Em 2008, ele ingressou na natação, mas logo depois foi convidado para conhecer o tiro com arco. E foi nesse esporte que o portador de espinha bífida — uma anormalidade genética que ocasiona um fechamento incompleto da coluna vertebral — redescobriu seus sonhos. Ao seu lado, Diogo Rodrigues, 17 anos, também prata da casa, compartilha o desejo olímpico que os impulsiona, os faz enxergar bem mais à frente. O jovem atleta teve uma das pernas amputada, consequência de um câncer. “Entrei no Cetefe em 2009, por indicação do meu professor. Comecei na natação, mas fiz aula experimental de tiro com arco e gostei do esporte.”

Saiba mais

Somando-se as cidades em que a entidade filantrópica atua, estão inscritas 1.033 pessoas, de todas as idades, segundo o último levantamento, realizado no ano passado. Em Brasília, o núcleo localizado no Setor de Áreas Isoladas Sul (Sais) tem 342 alunos praticando atividades físicas. Luciano Reinaldo e Diogo Rodrigues são dois dos brasilienses que superaram as expectativas até mesmo dos técnicos profissionais que são voluntários no Cetefe e já colecionam títulos regionais e nacionais. O sonho, porém, é ainda maior: uma vaga nas paraolimpíadas de Londres no ano que vem.

PARTICIPE
Para praticar uma modalidade no Cetefe, entre em contato pelo telefone 61 2020-3435. O serviço é gratuito.

Fonte:Superesportes