No Mundial da IBSA, a realidade distinta de judô e goalball no País

Vale a pena ler o artigo do jornalista Rafael Valesi, do Lance, sobre o Mundial da Turquia. O material foi feito para o Blog Paraolímpicos:

O Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) enviou neste mês as equipes de judô e goalball do Brasil para disputarem os Jogos Mundiais para cegos da IBSA (Associação Internacional de Esportes para Cegos, em inglês) em Antalya, na Turquia, competição que tive a oportunidade de cobrir pelo LANCE!, a convite do CPB. Lá, foi possível perceber a realidade totalmente diferente que vivem estas duas modalidades no país. Enquanto no judô Antonio Tenório e cia.  mostraram estar entre os melhores do mundo, no goalball o panorama foi bem diferente.

A competição deu vagas diretas para o goalball para os Jogos Paraolímpicos de Londres-2012. Para isso, as seleções precisavam chegar entre os quatro melhores entre os homens, e alcançar pelo menos a medalha de bronze entre as mulheres na competição. As equipes masculina e feminina do Brasil, porém, mostraram poucas condições de fazer parte desse grupo. Não pude ver todos os jogos, já que as partidas de goalball acabaram coincidindo com as lutas do judô. Mas, no pouco que pude notar das equipes (falo sobre o que eu vi, afinal não sou especialista no esporte), ainda falta muito para que o Brasil chegue perto dos melhores países. Porém, chega a ser injusto querer cobrar algo de nossos craques, como Romário, um dos artilheiros do Brasil em Antalya, e que recebeu o nome em homenagem ao campeão do mundo em 1994 com a Seleção Brasileira de futebol. Vontade de todos deu para perceber que não faltou. O que eles precisam agora é encontrar um caminho para que o nível técnico se equipare com os países mais fortes. Cabe ao CPB, aos patrocinadores e às comissões técnicas achar o rumo.

Por outro lado, os judocas parecem ter encontrado este caminho há muito tempo. Nos últimos anos, os atletas do país não saem de competições importantes, como Jogos Paraolímpicos e Mundiais, sem medalhas. Em Antalya não foi diferente, com um ouro de Daniele Bernardes, uma prata de Lucia Teixeira e dois bronzes, com Antonio Tenório e Giovana Pilla – se bem que este último pódio foi um pouco questionável, já que uma outra atleta, americana, também foi bronze sem ganhar nenhuma luta, enquanto Giovana venceu duas, o que acabou sendo injusto com a gaúcha. Nos tatames, o Brasil está longe de ser um coadjuvante. Muito pelo contrário. Lutou de igual para igual com todos os outros países fortes, como China e Azerbaijão, e mostrou que é só continuar o trabalho que já vem sendo feito – ou melhorar, por que não? – para que mais medalhas venham pelo caminho. O time conquistou pontos preciosos para o ranking paraolímpico e praticamente confirmou algums nomes em Londres, como Daniele Bernardes, Tenório, entre outros.

Por fim, mudando um pouco de assunto, me incomodou um pouco o fato da organização do Mundial da IBSA não ter feito algo que seria básico: equipamentos adequados e adaptados à deficiência visual dos atletas. O acesso à arquibancada para os judocas em Antalya era feito por uma escada improvisada, e no final eles ainda tinham de ultrapassar uma grade de mais ou menos 50 centímetros (!). Para uma pessoa sem deficiência aquilo já representava um risco de queda, para os cegos então… Por sorte, não vi nenhum acidente. Isso mostra um pouco da falta de cuidado dos dirigentes esportivos para com aqueles que são, talvez, os personagens mais importantes de todo o espetáculo esportivo, que são os atletas. Sem trocadilhos, esta é uma barreira que ainda atrapalha não somente as modalidades paraolímpicas, mas também as olímpicas.

O repórter Rafael Valesi está no LANCE! desde 2005 na cobertura de esportes olímpicos. Já trabalhou em eventos como os Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro em 2007, a Olimpíada da Juventude em Cingapura em 2010, entre outras competições.  


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