Existe paradesporto na Paraíba? por Fred Carvalho

A resposta é NÃO, não tem estrutura, não tem planejamento, não há equipamentos, os atletas do basquete usam cadeiras… Bem é melhor nem comentar, mas nem pneus adequados eles usam. Conheço um corredor de rua com um excelente potencial que usa a cadeira de uso cotidiano, uma cadeira de rodas normal para participar das corridas, ele encara ladeiras com ela, que é inadequada para a prática de esporte, não oferece o mínimo de segurança. Locais acessíveis para treinamento não existem, não há apoio, não há dinheiro, existe muita boa vontade de poucos que dedicam-se ao paradesporto, para esses medalha de ouro.

Triste essa realidade mas a saída para o paradesporto aqui na Paraíba é e sempre será o aeroporto. Meus patrocinadores quase TODOS são de fora da Paraíba, aqui apenas a Corpore Academia me apóia, cansei de ouvir NÃO e desisti de bater na porta do empresariado local. As ações do Estado, se existem ainda não conheci. A Bolsa Atleta que está suspensa não resolve o problema o valor é tão insignificante que não cobre nem parte da alimentação adequada que um atleta precisa ter. Atleta não come apenas feijão, arroz e carne de 5ª a alimentação tem que ser balanceada e o uso de suplementos, quase todos importados, é fundamental. Apenas com suplementação gasto quase R$ 25,00 em cada treino longo no asfalto. Essa esmola que é o Bolsa Atleta só serve para propagandas eleitoreiras dos pilantras de plantão.

Não só os atletas de alto rendimento necessitam de uma equipe multi-disciplinar, qualquer pessoa que pratica com regularidade algum esporte e se dedica com mais intensidade que os “atletas de finais de semana” precisa dessa equipe, composta por preparadores físicos, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, cardiologistas, ortopedistas, fisioterapeutas, psicólogos. Quando decidi me preparar para a maratona eu montei minha equipe. Longe de ser um atleta de alto rendimento, mas é fundamental e seguro ter um suporte de profissionais capacitados, isso evita lesões e aumenta consideravelmente os resultados e isso não é barato.

Em competições internacionais eu corro por São Paulo, defendendo outro estado. E defendo com muito orgulho, pois são empresários e entidades de São Paulo que me apóiam.

A handbike que uso para treinar custa mais de R$ 6.500,00 com os opcionais que coloquei (freio à disco, rodas  shimano e pneus Continental), tive patrocínio do Instituto Mara Gabrilli de São Paulo, minhas passagens aéreas são patrocinadas pela TAM, então nada mais justo que correr por São Paulo. Algum empresário Paraibano disposto a apoiar o paradesporto? Conheço um atleta com potencial que precisa de uma handbike para competir.

Aqui na Paraíba estou cansado de participar de corridas com apenas outros dois camaradas, falta de vontade ou falta de incentivo para o paradesporto? E ai vai correr ou vai encarar?

Fonte: Fred Carvalho

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