Dai Peron: “Sonho com o ouro em Londres”

O Blog Paraolímpicos conversa hoje com Daiane Peron, esgrimista nº1 do ranking brasileiro na espada e nº2 no florete. Dai foi campeã nacional neste final de semana (03/04) no florete feminino e prata na espada feminina categoria A. A competição foi disputada no Rio Grande do Sul.

A paraatleta gaúcha tem 25 anos e sonha em obter a vaga para os Jogos de Londres/2012 e quem sabe, o tão sonhado ouro na terra da rainha. São seis anos de experiência na esgrima que resultaram em participações em eventos internacionais na Polônia, Índia, França, Alemanha e Itália (país com um dos melhores esgrimistas do mundo).

No Brasil, a futura psicóloga Daí trabalha na empresa de seguros MBM, em Porto Alegre, e não deixa de lado os treinos por causa de sua deficiência.Saiba mais sobre a hexacampeã brasileira de esgrima:

Blog – Como a esgrima entrou na sua vida?

DP – A esgrima entrou na minha vida aos 19 anos, depois de ser convidada por alguns amigos da ASASEPODE, (Associação dos Servidores da Área de Segurança Portadores de Deficiência do Estado do Rio Grande do Sul). Dois mestres de esgrima olímpica já trabalhavam lá (Eduardo Nunes e Alexandre Teixeira), além de outros dois atletas (Lauro e Maurício).

Blog –O esporte não é tão popular no Brasil. O que fazer para que mais atletas e paraatletas façam mais esgrima?

DP – Uma idéia boa é colocar bastante materiais de divulgação como panfletos, fotos e endereços do treino em locais que de alguma forma trabalham com a pessoa com deficiência, como por exemplo, nos centros de reabilitação e associações. Outra coisa que desperta muito o interesse de outros atletas é realizar demonstrações em locais públicos, como escolas, aeroportos e praças.

Blog – Dá para unir treinos e trabalho na seguradora?

DP – Hoje é tranquilo ter a liberação da empresa onde trabalho para treinos semanais e competições dentro e fora do país, porque minha empresa incentiva e apóia o esporte. Mas ainda é complicado conciliar horários que tenho para treinar com horários em que os professores (técnicos) podem nos dar aulas. Cada um tem seu trabalho e na esgrima paraolímpica infelizmente ainda não possuímos patrocínio para pagar honorários.

Blog – E por falar em patrocínios….

DP – Infelizmente enquanto equipe nacional não possuímos nenhum patrocínio no momento, quem ainda colabora com gastos de viagens e hospedagens nas competições brasileiras oficiais e fora do pais é o CPB (Comitê Paraolímpico Brasileiro).

Blog – Fale sobre as suas chances nas Paraolimpíadas? E no Parapan?

DP –  Até o último Parapan, a esgrima não era uma modalidade inscrita, quem sabe agora no próximo tenha. Já as Paraolimpíadas, estamos treinando e se esforçando ao máximo para que se realize o Regional das Américas e com isso possamos conseguir colocação por ali.

A classificação é possível de duas maneiras: Regional das Américas ou então pelo Ranking Internacional. Esse último é necessário participar de todas as provas do calendário esportivo internacional.

Blog – Hoje você é a melhor do Brasil. Por que?

DP – Não sou a melhor, mas acredito que ganhei e ganho mais títulos que as atuais colegas porque na esgrima Brasileira ainda existe um número não muito significativo de integrantes, tanto no feminino quanto no masculino. Então, eu tenho mais chance de fazer treinos e de jogar mais vezes com o mesmo adversário, isso facilita em programar uma estratégia de jogo.

Foto:Dai Peron (centro) em evento da CPB

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