Jovens se destacam na etapa Norte/Nordeste do circuito nacional

A etapa regional Norte/Nordeste do Circuito Brasil de Atletismo, Halterofilismo e Natação começou neste sábado, 19, em Fortaleza/CE, com recordes brasileiros e novos nomes surgindo para o esporte Paraolímpico brasileiro. O público que compareceu à pista de atletismo da Unifor pôde ver de perto o jovem Francisco Jefferson de Lima ganhar duas medalhas, uma de ouro e outra de pratam e quebrar um recorde brasileiro.

“Eu não esperava conquistar o recorde no disco, que não é minha especialidade”, disse o tímido atleta.

Cearense de Pindoretama, Francisco Jefferson vive, aos 19 anos, o seu melhor momento como atleta. Ele foi convocado, este ano, para a seleção brasileira de jovens da modalidade, após ser medalhista de ouro e quebrar o recorde mundial do lançamento de dardo no Campeonato Mundial de Jovens da IWAS, ano passado. Francisco embarca domingo para a primeira semana de treinamento do time nacional, em São Caetano do Sul, São Paulo.

“Nunca esperei viver esse momento. Isso tudo é resultado de muito treino. Meu sonho agora é participar de uma Paraolimpíada, disse”

Competir em casa, garante Francisco, não é sinônimo de favoritismo, mas de maior pressão.

“A ansiedade é bem maior com a família assistindo, mas com essa vitória estou bem mais confiante”, declarou

Depois do bronze mundial, ouro no regional emociona

João dos Santos se emocionou neste sábado, 19, ao conquistar a medalha de ouro no lançamento de disco F46. A marca de 41m44 alcançada no regional Norte/Nordeste do Circuito está aquém dos 45m08 que o levaram ao seu maior feito: a medalha de bronze no Campeonato Mundial Paraolímpico de Atletismo, em Christchurch, Nova Zelândia. Mas o ouro valeu muito pelo carinho dos colegas de prova.

“É uma marca razoável, mas boa para o meu estágio de treinamento. Estou voltando agora depois do Mundial. Foi muito bom o reconhecimento dos amigos que já competiram comigo. Eles disseram que sou fonte de inspiração para eles. Respondi que só Deus é inspiração, mas que eles continuem treinando, procurem técnicos que possam ajudá-los a melhorar cada dia mais. É muito bom ver o aumento de interesse das pessoas em competir na classe F46. Antigamente éramos dois, três. Hoje fomos oito”, destacou.

Pernambuco domina na pista

Maior delegação da competição, Pernambuco foi o estado que mais subiu ao pódio neste sábado. Após metade da competição, eram 91 medalhas, sendo 42 de ouro, 29 de prata e 20 de bronze. O Pará vem na sequência, com 17 ouros, nove pratas e oito bronzes (34 medalhas no total). Os donos da casa já têm 28 medalhas (13 ouros, 13 pratas e dois bronzes).

No halterofilismo, atletas começam de olho no Parapan

O halterofilismo é a única das três modalidades que tem um sistema de classificação diferente: os atletas de todo o país podem competir nas regionais em busca do índice mínimo para as etapas nacionais. Mesmo assim, o destaque da manhã de competição está em casa. Maria Luzineide Santos de Oliveira levantou 75kg e conquistou o ouro na categoria até 44kg. A marca garantiu-lhe o melhor índice técnico entre todas as mulheres: 1,77.

“Ainda estamos no início de ano e de preparação. Meu objetivo é chegar forte no Parapan e em Londres 2012, minha principal meta”, explicou a atleta que defendeu o Brasil nas Paraolimpíadas de Pequim 2008.

“Mesmo assim, quero quebrar o recorde brasileiro de 82,5kg, que fiz em Pequim, antes do Parapan. Depois que sou mãe, voltei mais forte do que nunca. Estou bem mais inspirada”, contou.

Jovens se destacam na natação

Num dia de sol forte em Fortaleza, 130 atletas caíram na piscina do clube Náutico para disputarem a primeira etapa. Nos 200m livre (S5) e 100m peito, o potiguar chegou em primeiro, com os tempos de 3m44s47 e 2m25s, respectivamente. Nos 50m livre, última prova do dia, Márcio fez 44s64, também medalha de ouro.

“Comecei a nadar aos 10 anos, e desde então o esporte tem representado muita coisa. Envolve saúde e superação. No Brasileiro, por ser uma competição mais acirrada, vou me empenhar bastante, para tentar fazer minha melhor marca. Sonho em representar o Brasil nos pódios do mundo todo”, disse Márcio.

O garoto, de 20 anos, é uma das apostas da coordenação técnica, que recorda os feitos de Márcio em 2009, quando levou dois ouros no Para Pan de Bogotá (revezamento 4x50m livre e 4x50m medley).

Briga no quadro de medalhas

Na piscina, a disputa entre os estados está acirrada. Sadef, do Rio Grande do Norte, o CAPP, de Pernambuco, e o Ges/Seed, do Ceará, estão na briga pela liderança. A equipe potiguar conquistou mais de sete ouros, enquanto os pernambucanos alcançaram mais de cinco. O Ceará vem logo atrás, com mais de três ouros.

“Um dos destaques desta competição foi o próprio Ceará, uma das regiões que mais tiveram atletas inscritos, o que demonstra o envolvimento do estado com a causa do Movimento Paraolímpico. A mídia e o interesse da população, no geral, têm sido muito positivos, o que estimula os atletas a darem seu máximo nas piscinas”, disse o coordenador técnico da modalidade, Murilo Moreira.

O cearense Yuri Soares de Araújo, com a torcida a favor, vibrou ao conquistar acesso à participação no circuito nacional.

“Nadei o que pude, treinei bastante, e a recompensa veio, no peito e borboleta. Estou realmente muito feliz”, disse o garoto, de 20 anos, que tem como objetivo fazer parte da seleção brasileira da modalidade.

Edilson Rocha Tubiba, diretor técnico do CPB, lembrou que os circuitos, em 2011, serão extremamente técnicos.

“Fortaleza tem uma excelente estrutura física, o que resulta em uma competição organizada. Além disso, é importante começamos o ano no Nordeste, celeiro de grandes nomes da natação, como Clodoaldo, Edênia, Ivanildo e tantos outros. Este ano é de grande promessa, já que teremos o Parapan de Guadalajara, no México. Os atletas estão se preparando forte para os Circuitos, já que os resultados serão parâmetros para definição de nomes convocados para a competição sulamérica.”

A competição deu início oficial aos circuitos, uma das principais competições do calendário do CPB. Este ano, o Circuito terá quatro etapas regionais (uma a mais que no ano passado) e três nacionais. São Paulo deixa de fazer parte da Centro/Sul e ganha uma regional exclusiva, por ser o estado com maior número de atletas do País.

Fonte – Final Sports

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